Asas de Anjo 8

30 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Capítulo 8

Demetrius seguia Stella, curioso. Viu quando a colega de sala foi buscá-la, viu quando almoçaram juntas e depois foram pra casa da mulher. O que ele não entendia, é por que ela ainda estava lá dentro a essa hora da noite. Aguardou do lado de fora da casa, esperando que ela saísse. Demetrius nunca foi muito intuitivo, o que é mais uma característica feminina, na opinião dele, mas especialmente nessa noite, ele sentia que algo não ia bem. Sentia que Stella poderia correr perigo a qualquer momento que fosse. Por voltas das 8 e pouquinho da noite, a porta da frente se abriu e a mulher que estava com Stella saiu. Estava elegante e arrumada. Saltos muito altos e vestido colorido. Logo atrás dela, Stella saiu e o coração de Demetrius parou por alguns segundos. Quem era aquela? Stella estava linda em uma roupa que nunca a tinha visto usando, e que claro, não fazia o seu estilo, e por isso, Demetrius não gostou. Curto demais. Onde ela estaria indo? Com quem? Por quê?

Ela saiu rindo e Demetrius se sentiu a pior pessoa do mundo por pensar que, era simplesmente tão facilmente esquecível assim para ela já estar saindo para se divertir e rindo a toa, enquanto ele a seguia perdido. Maldição!

As duas entraram no carro e Stella foi no passageiro. Demetrius as seguiu, por mais que não quisesse e estivesse preocupado com o que pudesse ver mais adiante, ele tinha o dever de protegê-la. Não queria sua vida de volta? Porque, a julgar pelas coisas que via, agora esse era o seu principal objetivo. Talvez Stella não o amasse de verdade. Não como ele. Afinal, ela ainda era humana, e humanos são habitualmente falhos.

Elas andaram por uns 30 minutos e chegaram a uma casa em uma rua principal. Uma enorme casa com um som alto e tantas pessoas que não cabiam dentro dela e estavam espalhadas pelo jardim da frente. Pararam o carro a uns metros do portão, do outro lado da rua. Demetrius, que estava em cima de um arvore, observou as duas saírem do carro.

O sangue de Demetrius começou a ferver, e sua mente começou a produzir um “piii” que parecia que o deixaria surdo. Demônios. Sim, tinha certeza que havia algum por perto. E eles eram traiçoeiros. Trocavam de corpo como se troca de roupa. Podiam ser homens, mulheres, bonitos e feios, jovens ou velhos. Poderiam ser seu melhor presente para depois, se tornar seu pior pesadelo. Demetrius olhou atento ao redor, nunca deixando de perder Stella de vista. Quando as duas passaram pela porta principal e adentraram a casa, Stella em seguida da amiga, ele bateu o olho em um homem. Ele tinha boa aparência, estava encostado no batente da segunda porta que se via, seus olhos negros como jabuticabas estavam fixos em Stella, tão discretos que ela nem percebera. Usava uma roupa toda preta e tinha um porte físico e uma altura de dar inveja. Se não fosse um pouco gay, Demetrius diria que o cara era muito bonito. Demetrius teve certeza, esse era o seu inimigo. Seus olhos profundos mostravam todas as almas sofridas que ele carregava com orgulho dentro de si. Ódio, dor, era isso que aqueles olhos produziam, mas tudo isso estava camuflado em uma imagem ilusória.

Demetrius não pensou duas vezes. Guardou suas asas e voltou à forma humana. Teria que se infiltrar na festa e ser discreto, para que Stella não o visse. Esperando um grupo de pessoas que atravessavam a rua pra entrarem, ele os seguiu e entrou junto com os desconhecidos.

A casa era grande e ele já tinha perdido Stella e a amiga de vista. Mas não o demônio. Ele estava no mesmo lugar, sereno e quieto demais. Um sorriso convidativo e discreto pousava em seus lábios.  Demetrius estava tão distraído o observando quando foi esbarrado por alguém. Um homem, cujo os olhos vermelhos não lhe eram estranhos.

– Oh se não é o anjo caído! – o homem disse com um sorriso

-Por favor, fale mais baixo infeliz! – respondeu Demetrius

Era Adrian, um anjo caído com cabelos cor de fogo que amava sua vida desregrada, adorava a forma como vivia e não queria voltar para o jardim.

-Nunca pensei que fosse encontrá-lo em uma festinha Demtrius. Resolveu desistir de voltar? – Adrian disse

A sua soava mais como um desafio e seu sorriso sínico, fazia com que Demetrius sentisse vontade de esmurrá-lo

-Não seja ridículo Adrian. Está sozinho?

Não falava com Adrian fazia um tempo, um longo tempo. Não sabia se ele era só um bastardo retardado querendo curtir sua necessidade ou se ele, como outros, estava do lado dos demônios e queriam destruir o Jardim.

-Sim, estou só. Já viu quem esta aqui? – Adrian disse fazendo um toque com a cabeça em direção ao demônio – Esses bastardos quase me mataram um dia desses. Não respeitam nem mais o acordo de apaziguamento.

O acordo se resumia a eles não matarem os anjos caídos, independente de qual lado estavam. Mas, agora com Stella, não sabia como estavam as coisas entre os anjos caídos e os demônios.

Tomando ciência que Adrian não estava junto com o demônio, Demetrius deixou-o praticamente falando sozinho e foi atrás de Stella.

Demetrius viu que o demônio não estava mais onde estava antes e temeu por Stella. Nenhum dos dois a vista. Ele ouviu uma aglomeração nos fundos da casa. Pessoas gritando, rindo, cantando. Ele foi até lá para ver se os via.

Para a surpresa de Demetrius, Stella e sua amiga estavam em pé em uma mesa, assim como duas meninas em outra mesa próxima, dançando e bebendo. Quem era aquela pessoa? O que fizeram com a sua Stella? Então, Demetrius se deu conta que foi ele mesmo quem fez isso a ela. Ele mesmo que a deixou daquela maneira, depois de ter lhe prometido mundos e fundos.

Com os olhos tristes ele olhava para ela. Estava completamente fora de si, rindo, gritando. Enquanto rapazes ficavam ao redor das mesas contemplando-as.

Quando Demetrius reparou os olhares cobiçosos dos filhos da mãe, sentiu uma tremenda vontade de abrir suas asas e com toda força, arrastar todos esses bastardos até a China! Seus olhos queimavam de raiva. A ira o possuía e sem perceber, com passos vagarosos, foi chegando mais perto do local.  Até que seus olhos se encontraram com os de Stella.

 

Stella estava um pouco atordoada, conseguiu beber em menos de 15 minutos, tudo o que não bebeu na vida. Estava adorando a liberdade e estava adorando ser olhada com desejo por outros homens. Até que viu Demetrius. A expressão em seu rosto era de ódio, o que fez Stella ter a mesma recepção. O que ele estava fazendo lá? Estava a seguindo? Que direito ele tinha, depois de ter rompido com ela?

Stella ficou furiosa quando ele vinha em sua direção. Ele chegou perto da mesa olhando para cima, em seus olhos.

-Desce. Daí. Agora – ele disse

Stella riu desdenhada, que afronte!

– Não seja ridículo Demetrius!

Ele tentou segurar sua mão, mas ela desviou. Ouviu seu nome. Atrás dela, havia um homem. Um homem lindo que a estava chamando.

-Desce daí, eu ajudo você. – ele disse estendendo a mão

Andressa, que estava ao seu lado, não entendo nada, virou para Stella.

-Vai amiga! Aproveita ele é um gato!

Stella olhou para o rosto perfeito do homem e depois para o rosto zangado de Demetrius. Ele merecia isso, merecia que ela virasse as costas e fosse com aquele homem.

-Pelo amor de Deus, não vá com ele. Me escuta! –disse Demetrius com a voz um pouco desesperada

Ora essa, queria lhe dar ordens. A raiva cresceu em Stella, e sem pensar duas vezes, ela aceitou a mão do desconhecido. Ele a ajudou descer e sem olhar para trás, Stella correu enquanto ele a acompanhava.

-Me tira daqui, rápido! – ela disse ao lindo estranho

-Com toda certeza – ele respondeu com uma voz rouca que lhe deu arrepios.

Asas de Anjo 7

30 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Capítulo 7

 

Stella sentia-se estranha enquanto andava e chorava ao mesmo tempo. Sentia os olhares curiosos das poucas pessoas que passavam ao seu lado. Andava como se não conhecesse suas pernas e estivesse flutuando nas nuvens, desajeitada. No primeiro ‘pequeno’ bar que encontrou aberto, respirou fundo, limpou o rosto e entrou no estabelecimento. Era incrível como sua vida podia passar de feliz a infeliz em segundos, com apenas algumas palavras ditas. Estava sozinha. Chegando perto do balcão pediu um maço de Marlboro e um isqueiro para o homem velho com um aspecto asqueroso a sua frente. Pagou o homem e saiu em direção ao seu pequeno apartamento, que só então, percebeu que era apenas três quadras dali. Acendeu um cigarro. Não costumava fumar com freqüência, mas realmente estava precisando de um. Ao dar a primeira tragada, sentiu um gosto amargo que a deixou tonta e tomou conta de seu corpo. Olhou para a brasa acesa e pensou que sua vida poderia ser comparada a esse cigarro queimando. A nicotina queimava como se fosse sua vida, e o vento batia levemente levando todas as cinzas que se transformavam como as coisas boas de sua vida que viravam ruins e eram carregadas e esquecidas, indo embora com o vento. Não pode conter as lágrimas que voltaram a cair de seus olhos. Caminhou lentamente olhando para o chão sentindo-se um nada. Uma ‘Zé ninguem’ fora de contexto nenhum. Conforme andava e olhava a calçada por onde passava, Stella sobressaltou-se ao perceber uma sombra estranha refletida no chão. Seu coração logo começou a bater descompassado ao lembrar-se da ultima vez que viu algo parecido. Reparou que o reflexo, apesar de não ser nítido, era diferente das outras pois tinha uma forma mais regular. Asas? Parou de imediato e olhou para cima. Nada. Não havia nada, nem sombras, pássaros, nada. Assustou-se quando seu celular começou a tomar, e por uma fração de segundos, ficou esperançosa por achar ser Demetrius. Mas, ao pegar o aparelho nas mãos, o nome Andressa piscava rapidamente.

Andressa era uma colega da faculdade, na qual era a única pessoa que conversava e fazia os trabalhos juntas. Como Stella andava meia afastada e desinteressada, sabia que Andressa estava ligando para saber se estava tudo bem e a quantas andava o trabalho de línguas que Stella ficou de fazer a primeira parte.

-Oi….

– Stella! Oi querida, tudo bem com você? – respondeu feliz, diferentemente de Stella

– Oi Andressa, sim, esta….esta tudo bem sim.

– Não me parece nada bem. O que houve? Onde está? Vamos nos encontrar hoje para rever o trabalho?

Apesar de não serem grandes amigas, Stella gostava de Andressa, gostava da maneira que ela falava e de sua alegria contagiante. E nesse momento, Stella que nunca teve liberdade com muita gente, sentiu vontade de ter um ombro amigo como o de Andressa.

– Eu…realmente não me sinto muito bem, mas sim, podemos nos encontrar hoje.

Stella se deu conta de que, pela primeira vez, estava sendo honesta com alguém que não fosse Demetrius. Não queria afastar Andressa, pensou que ela tinha ligado em boa hora. Seria bom passar o dia ocupando-se de outra coisa a não ser pensar em Demétrius.

– Ótimo! Perfeito…passo pra te pegar as 11 horas. Vamos almoçar e discutir sobre o trabalho. Esteja pronta. Até logo.

Antes de Stella poder confirmar a resposta, ela já havia desligado o telefone. Certo, iria pra sua casa e se aprontaria. Era por volta das 10 horas quando colocou os pés em casa. Tomou uma ducha e lavou seus cabelos. Queria tirar todo o cheio da noite de amor que teve com Demétrius. Nenhuma lembrança.

Como o tempo estava frio, Stella optou por um jeans velho, seus preciosos all stars, e uma blusa de linho preta, um pouco folgada, deixando a mostra seu pescoço nu. Os brincos eram os mesmo de sempre, pequenos e delicados em forma de flor dourados. Nunca foi de se enfeitar toda, mas sempre sentia inveja das mulheres que se arrumavam. Como Andressa.

11 em ponto, Andressa estava com o carro buzinando no portão do prédio e Stella foi ao seu encontro. Andressa era loira, cabelos cumpridos e lisos até o meio das costas. Alta e bonita, com um ar de segurança de dar inveja. Sempre elegante e recebia muitos olhares por onde passava em seu carro importado. Tinhas seus 28 anos,  já era formada em língua estrangeira e agora queria ter seu diploma em Letras. Sua família possuía uma fortuna que era herança, eles eram donos de algumas empresas de publicidade, mas Andressa nunca quis fazer parte disso, tinha seus próprios objetivos.Stella entrou no carro.

– Olá? Que pontual.

Era difícil ver Stella fazendo uma brincadeirinha que fosse, mas do pequeno comentário e do sorriso sem graça dela, veio uma gargalhada alegre de Andressa, como se ela tivesse contado a maior piada do mundo.

– Depende da conveniência minha querida! Preciso do trabalho, e uma companhia para o almoço. – dizendo isso, deu uma piscadela e arrancou com o carro assim que colocou seus óculos escuros, que a deixava ainda mais elegante.

Seguiram em silencio, ate que Andressa falou

– Vocês está bem? Esta quieta. Bom, você sempre foi, mas hoje esta mais. Tá tudo bem?

Era tão notável assim? Andressa não sabia nada da vida de Stella, nem mesmo sobre o amor que vivia com Demetrius. Não daria para explicar os detalhes todos e todas as coisas estranhas que estavam acontecendo.

-Nada, é só que…eu briguei com meu namorado. – disse simplificando

– Puxa! Nem sabia que você tinha um! Mas enfim, homem é o que mais tem no mundo minha linda! Esquece e desapega disso! Logo você arruma outro. – fez uma pausa e como Stella nada disse, ela prosseguiu – Tem uma festa muito boa hoje. Vamos?

Stella levantou a cabeça e olhou direto para o rosto de Andressa iluminado por um sorriso que até parecia que estava esperançosa para que a resposta fosse sim. Stella não ia muito em festas, aliás, acreditava que sua única festa foi o dia em que se formou na escola. Não era como Andressa, não saberia o que vestir, nem como se comportar. Não conhecia ninguém.

– Eu não sei, não vou muito a festas. – respondeu

– Querida, você precisa viver mais! Você vai e sem discussão! Hoje mesmo é que você esquece desse seu ex picareta. Acredite em mim. Vamos nos divertir.

Stella nada disse, apenas deu um sorriso curto e pensou que deixaria as coisas acontecerem. Talvez não fosse tão ruim assim distrair um pouco.

A tarde passou rápida. As duas foram almoçar em um restaurante perto do centro, onde Andressa conhecia. Deram algumas risadas, comeram e discutiram sobre o trabalho. Stella, por muitas vezes, esqueceu-se de Demetrius e de tudo aquilo, estava realmente gostando de ter uma amiga por perto.

Depois de almoçarem, foram direto para a casa de Andressa. Ela disse que ajudaria Stella a se vestir e emprestaria algumas roupas mais festivas pra ela.

A casa de Andressa era grande. Possuia três andares e de acordo com o que viu, 5 quartos? Era muito para uma pessoa que morava só com a filha. Andressa era mãe solteira. Sua filha tinha 8 anos de idade. Era muito parecida com a mãe. Linda e meia, com cabelos castanhos claros cumpridos também. Assim que entramos na casa, Mari veio correndo abraçar a mãe.

– Mãe! Que bom que chegou! Vamos no cinema hoje? – ela perguntou

– Hoje a mamãe não pode amor, mas iremos amanhã. Vamos nos arrumar para uma festa, você quer nos ajudar?

Mari acenou com a cabeça que sim feliz da vida por ter sido incluída nos planos da mãe. Logo atrás, apareceu uma senhora de cabelos brancos enrolados em um pequeno coque no alto da cabeça. Usava um uniforme de empregada. Tinha um sorriso acalentador nos lábios e pequenos olhos azuis turquesa. Sua pele era tão branca que chegava a deixar suas maças do rosto rosadas. Era uma figura terna.

– Olá senhora. Como está? – ela disse a Andressa

– Bem Matilda, e você? Como se comportou nossa menina?

– Otimamente, ela é um doce. – Dizendo isso, Matilda piscou para Mari e voltou para dentro

-Vamos mãe…. – disse Mari puxando a mão da mãe

-Vamos meu bem – antes de caminhar ela disse – essa é minha amiga Stella, ela vai para a festa e também irá se arrumar com a gente hoje

Pareceu que só então Mari se deu conta de que a mãe estava com mais alguém. Ela soltou a mão da mãe e olhou fixamente para Stella. Seus traços infantis e delicados estavam indecifráveis. Seus olhos pousaram no rosto de Stella, tão intensos que a deixou desconcertada. Adorava crianças, apesar de não ter estado perto de muitas ao longo da sua vida.

– Você….você é um anjo? – a menina perguntou docemente

Foi um comentário ingênuo, coisa boba de criança, mas Stella sentiu um arrepio na espinha.

Esfregou a nuca e deu um pequeno sorriso a menina.

– Não Mari, apesar de ela ser muito bonita, ainda não vejo suas asas – respondeu Andressa antes de uma gargalhada – Vamos para cima!

Logo a menina voltou ao normal e as três subiram para o quarto de Andressa. Só seu closet era do tamanho do quarto de Stella, que ficou encantada.

– Vamos escolher uma roupa para a nossa anjinha Stella – disse Andressa

Stella como nada entendia de festas e roupas, deixou as duas escolherem o que vestir. O escolhido foi um vestido básico preto, com ombros caídos. Escolheram um cinto marrom com detalhes prata que coloram em cima e botas de cano baixo pretas, com saltos que pareciam ter sido feitos para mulheres que só ficam sentadas. Stella estava um pouco desconfortável, afinal, o vestido parecia ser a peça mais curta que já usou na vida.

– Esta perfeita, não esta Mari? – disse Andressa

– Tá linda! – disse a menina com alegria

Ok, agora enquanto você arruma seu lindo cabelo, eu e a Mari iremos achar uma roupa para a mamãe. Vamos.

Por volta das 20 horas, elas estavam prontas para sair. Stella deu uma ultima olhada no espelho para tomar coragem. O que Demetrius pensaria se a visse arrumada daquela maneira? Ah! Por Deus! Era provável que ele estivesse com outra a essa hora. Esquece…esquece…Mari apareceu na porta.

-Minha mãe ta chamando, você não vai a festa não é?

– Claro que sim linda. Já estou descendo

– Por que você não tem asas? – perguntou a menina inocente

Stella não entendia de onde Mari tinha tirado essa conversa.

-Bom, porque eu não sou um anjo – ela respondeu com a mesma delicadeza da menina

-Não é isso que eles disseram – ela disse e em seguida saiu deixando Stella só.

Sem dar muita importância para as fantasias de Mari, Stella olhou-se no espelho mais uma vez, respirou fundo, deu uma ultima arrumada no seus cabelo, uma cascata de magno que lhe caia sobre os ombros, e saiu dizendo a sai mesma que tudo iria ficar como deve ser. Bem.

 

 

 

 

 

 

 

Asas de Anjo 6

2 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Stella abriu os olhos e pensou que deveria ter adormecido mais um pouco depois de fazer amor com Demetrius. Percebeu que ele não estava na cama com ela. Levantou-se em um pulo, e sentou na beirada da cama, ajeitando o lençol embaixo dos braços. Ele estava sentado em uma cadeira virado para a janela. De costas para ela. Ele parecia distante e talvez não tivesse percebido que estava acordada, pois não se moveu nem um centímetro. Ele usava apenas suas calças jeans e estava com o corpo um pouco inclinado em direção as mãos no colo.  Stella levantou e deslizou até ele, ainda com o lençol enrolado no corpo. Atrás dele, ela percebeu que ele segurava um tipo de uma medalha nas mãos.  Stella reparou na sua grande tatuagem nas costas. O anjo tinha cabelos cumpridos até os ombros e estava de cabeça baixa, não conseguindo ver o seu rosto nitidamente. Suas asas eram grandes e volumosas, pomposas. Os traços do desenho eram feitos em preto e sombreava o corpo todo do anjo. Mas, nesse momento, mesmo que parecesse loucura, ele parecia estar brilhando e em alto relevo. Nossa, o desenhista devia ser muito bom. Stella pousou uma das mãos no ombro de Demetrius e ele deu um pulo de susto. Virou-se para encará-la.

– Desculpa, não queria assustá-lo – ela não sabia o que era mas, tinha algo errado acontecendo ali – Que lugar é este?

– Ah, desculpe. É…apenas um lugar que venho quando quero ficar só.

Sua voz era baixa, parecia triste e seus olhos, agora verdes escuros, estavam semicerrados. O que estava havendo?

– Ah… É ótimo ter, bom … um lugar pra se sentir bem. Você nunca havia me dito…não importa– ela deu uma pausa e continuou – Quero saber o que esta acontecendo Demetrius.

Apesar de sua voz firme, ela não foi rude. Afinal, estava um pouco assustada e parecia, realmente parecia, que as coisas não estavam boas. Ele parecia saber algo sobre as sombras. Como ele demorou para responder, ela disse

– Você as viu, não viu? As sombras? O que aconteceu comigo? Por que me trouxe aqui?

Demetrius levantou e pegou as mãos de Stella entre as suas. Por ser bem maior que ela, Stella teve que olhar para cima para poderem se olhar nos olhos.

– Eu … bom …eu as vi – ele fechou e apertou os olhos como se estivesse sofrendo, e depois os abriu novamente – você apenas desmaiou e não, eu não sei o que elas são.

– Ok…então…por que esta agindo dessa maneira?

Ela estava desconfiada. Claro, ver sombras negras e depois desmaiar não era uma coisa normal, mas estava mais preocupada com o modo como ele estava tenso.

– Precisamos conversar- ele disse

Stella sentiu seu estômago embrulhar. Pela feição dele, com certeza não era uma coisa boa. E o medo do que descobriria a invadiu. Sexto sentido.  Ele a levou para a cama e a colocou sentada, sentando-se ao seu lado. Aos pés da cama estavam suas roupas, ele as pegou e colocou no colo de Stella. 

– Olha para mim – ele disse quando ela baixou a cabeça para as roupas.

Ela fez o que ele pediu e nossa, agora parecia que seus olhos estavam negros. Impossível claro.

– Stella…eu … amo…Eu amo você mais do que qualquer coisa. Mais do que a mim mesmo e, por essa razão, preciso te pedir um favor e…bom…espero que entenda. 

Ela estava ansiosa pelo pedido, sem saber ao certo o que esperar.

– Pode falar

– Bom, eu…tenho que sair …não…quero dizer, tenho que me afastar de você por um tempo. É só por um tempo…preciso desse tempo, você também precisa …

-O quê? – ela o interrompeu – De que tipo de “tempo” você está falando que EU preciso? – estava furiosa

– Calma minha Ro…

– Calma? Você quer que eu tenha calma? – ela o interrompeu – você acabou de se deitar comigo e agora quer me deixar, e acha que devo ter calma?

– Não é o que está pensando. Entenda! Você tem que acreditar em mim…não posso te contar!

Stella reparou que seus olhos pareciam marejados. Será?

-Você é um canalha! Espera mesmo que eu acredite nessa baboseira?

Ele nada disse. Apenas abaixou a cabeça olhando fixamente para o chão.

-Não acredito que … eu… não acredito que acreditei em você.

Stella vestiu suas roupas. Esperou que ele dissesse alguma coisa, mas ele apenas ficou observando-a. Quando estava vestida, Stella pegou suas coisas e foi em direção a porta.

-Stella …

Ele chamou. Ela virou e o encarou com um aperto no peito tão grande. Mas não iria chorar na frente dele. Ele estava com um aspecto horrível. Tristes com os ombros retraídos.

-O que? – ela disse

– É… melhor assim ….

Sem deixar ele terminar, Stella abriu a porta e saiu rumo as escadas de incêndio. Desceu a pulos. Assim que chegou na porta, parou em frente ao prédio vazio, aquele lugar estranho. Pensou como tudo tinha ficado estranho em tão pouco tempo. Pensou em como a felicidade pode acabar em apenas alguns segundos e esses, destruir um coração. Não agüentando mais segurar, Stella chorou. Caminhando devagar sem rumo, chorou tanto. Sentia como se alguém tivesse pegado seu coração entre as mãos e o tivesse colocado embaixo da roda de um carro.

 

Assim que Stella se foi, Demetrius não agüentou a dor no peito. Alguém havia arrancado-lhe o coração. Poderia culpar ao Jardim, a mestra, as regras. Mas sabia que nada traia sua felicidade de volta, a não ser ter Stella novamente em sua vida. Demetrius foi até a janela e viu Stella indo embora. Chorando. Seu peito doeu. Sentiu vontade de abraçá-la e confortá-la. Dizer a verdade e que logo estariam juntos novamente. Não podia. Ele teria que seguir adiante com o ‘plano’. Abriu a janela e saiu, ficando em pé no parapeito. Queria gritar. Respirou fundo duas vezes e então abriu suas asas. Eram enormes. Estavam um pouco tensas e tremendo. Não pesavam nada, apesar de ser farta de penas cinza claras com as pontas mais escuras, quase pretas.

Demetrius se concentrou e então, levantou vôo, batendo suas asas devagar, porém a velocidade que se deslocava era três vezes maior. Foi atrás de Stella. Afinal, ele era seu anjo guardião.

A Noite

22 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Frio. O vento soprava congelante e batia em meu rosto, tocando minha pele fina, como uma navalha afiada. Já não se via mais o sol, apenas alguns reflexos distantes encobridos pelas nuvens carregadas que pareciam mais com sombras escuras acinzentadas, sem forma. Do alto eu pude ver o esplêndor do pôr do sol indo embora para dar espaço para a noite plena e a lua. Ah, a lua! Prateada e tão brilhante que iluminava quilômetros de ruas em completo breu, engolidas pela escuridão da noite. Eu estava ali, somente aguardando a chegada da lua prateada para poder sair pela noite. Assim que o sol se foi totalmente e o céu foi tomado pela cor negra, a lua prateada já estava lá. Com apenas um olhar, ela me consumiu por inteira, e pude ver o quanto de perfeito havia naquilo. Um ponto luminoso no meio a escuridão, mas esse ponto, é mais do que apenas uma luz, é o coração. Sem a lua não existira noite, assim como sem o coração, não existiria a vida.

Asas de Anjo 5

12 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Stella acordou ainda sonolenta. Parecia que estivera dormindo uma eternidade. Abriu os olhos vagarosamente e percebeu que estava em um lugar desconhecido. Como foi parar lá? Colocando os pensamentos no lugar, recordou-se de quase tudo. Não sabia exatamente como tinha parado no lugar onde se encontrava, mas lembrava nitidamente do beijo de Demetrius na porta da Universidade. Sim, estavam se beijando e então…lembrou-se das sombras. O que era aquilo? Queria saber se essa foi a causa da dor no peito que sentiu. Poderia ser? Ao se lembrar de como tinha doído e como tudo aquilo havia acontecido, Stella estremeceu da cabeça as pés. Estava louca, só podia. Só então se deu conta de que Demetrius estava ao seu lado na cama. Ela estava de costas para ele. Stella se virou e ficou a polegadas de distância do corpo de Demetrius. A mão dele repousava sobre seu corpo. Ele estava tão lindo! Suas pálpebras estavam fechadas, parecia estar em um sono pesado. Talvez estivesse sonhando porque, suas sobrancelhas estavam levemente franzidas. Estava vestindo apenas seu jeans. Já não estava mais de camisa. Stella percorreu seu lindo rosto com o olhar. Se ele não tivesse aquela barba por fazer o rosto dele seria como o de um bebê. Um bebê muito lindo por sinal. Descendo o olhar, Stella olhou seu peito forte e musculoso, com e pele bronzeada. Ele era só músculos e exalava sensualidade. Stella reparou seus ombros fortes. Demorou-se um tempo por ali, e reparou na ponta da asa do anjo tatuado nas suas costas. Dava para ver apenas algumas penas do desenho. Stella levou sua mão até ela e colocou seu indicador na asa. Sentiu um pequeno choque, como uma carga de energia sendo transportada para ela. Com a mesma mão Stella deslizou os dedos pelos músculos firmes de Demetrius. Ela o desejava. Queria sentir o corpo dele sobre o seu naquele momento e não pensar em nada mais. Sem tirar as mãos dele, Stella olhou para sua boca e em seguida, se esticou um pouco para tocar seus lábios com os seus. Então ele abriu seus olhos claros.

 

Demetrius sentiu o beijo de Stella, e foi como um despertador. A bela adormecida sendo acordada com um beijo. Era gay, mas foi o que ele pensou. Ele se afastou um pouco, a segurou pelo pulso da mão que estava sobre seu peito e a olhou.

  • O que está fazendo minha rosa? – ele perguntou aos sussurros
  • Faça amor comigo – ela respondeu sem vacilar se aproximando mais dele

Demetrius estava um pouco confuso. Não porque não queria fazer amor com Stella, mas sim porque achava que não deveria. Ele dormiu pensando em muitas maneiras de achar uma saída para tudo isso. E chegou a conclusão que teria realmente que deixá-la. A conclusão lhe doeu o peito, mas isso não queria dizer que ele desistiria dela. Ele a esperaria, ele faria sua parte para poder encontrar com ela novamente, e ela teria que acreditar nele e seguir seus instintos de anjo. Esse era plano para o amanhecer, mas Stella estava tão próxima dele, e queria fazer amor com ele! Estava excitada e só o toque dos seus lábios foi o suficiente para Demetrius acordar já em posição de ataque. O que havia entre os dois era algo inexplicável. Uma corrente elétrica, uma força maior que fazia com que quisessem que seus corpos estivessem colados o tempo todo. Ele era dela e ela era dele. Nada poderia mudar isso, eles eram um.

Stella soltou sua mão de entre as de Demetrius e tocou seu abdômen definido. Ele estremeceu pelo toque suave e devagar que ia descendo em direção ao ponto exato onde ele queria. Stella chegou próximo de seu rosto.

  • Eu amo você, faça amor comigo agora! – ela disse sussurrando firme

Como ele poderia negar se o que ele mais queria era estar dentro dela? Ele mataria por estar lá. Pensou que não conseguiria viver sem sua doçura e sem corpo junto ao dele. Não poderia viver sem Stella. Nunca.

Demetriu pegou a mão de Stella e a posicionou em seu próprio rosto. Com a mão livre, ele deslizou para dentro da blusa dela e pegou com gentileza um seio preenchendo-o por completo. Stella deu um gemido curto e abafado e ele adorou o som que produziu. Ele a beijou com delicadeza. Seus lábios se unindo exigentes por mais. Ele interrompeu o beijo, moveu o corpo um pouco mais para baixo. Levantou a blusa de Stella e apartou o sutiã branco de renda deixando os seios a mostra. Ele pegou um e levou seus lábios para o centro daquele lugar. Sugou-o com vontade, saboreando o seu delicioso sabor. Ele deslizou a mão para baixo, sem interromper o toque, e tocou no lugar onde ele gostaria de estar. Stella estremeceu e fez com que o corpo de Demetrius estremecesse juntamente com ela, na mesma freqüência. Afastando-se um pouco, Demetrius virou Stella deitada de costas e tirou sua blusa com um puxão rápido. Em seguida tirou sua calça e a calcinha.

– Tira isso! – ela disse referindo-se a sua calça

Demetrius fez o que ela mandou e se despiu. Ficando em cima dela, tomando cuidado para não depositar todo o seu peso, Demetrius tocou o belo rosto delicado de Stella.

– Você é linda …

Dizendo isso ele a beijou. Carinhosamente e logo depois, com vontade. Vontade de provar mais dela. Do seu corpo todo. Ele sabia que essa seria a ultima vez que estariam juntos até se encontrarem de novo, e não tinha certeza de quando seria isso. Por isso, Demetrius resolveu não pensar nas conseqüências e aproveitou cada segundo com ela. Tocou e explorou todos os cantos do seu corpo. Deixou ela fazer o mesmo. Deu prazer a ela de forma total e plena. Sentiu seu toque, seu cheiro, a textura de seu cabelo e sua pela feita de papel. E assim, eles se amaram por horas e horas. Ele estava em êxtase e suas asas queriam se abrir e bater forte com alegria e prazer. Ele não queria que acabasse, nunca, mas ele sabia que o amor que eles compartilharam, poderia passar até mesmo por vidas para estarem juntos. Ele acreditava nisso piamente.

Asas de Anjo 4

30 de março de 2011 § Deixe um comentário

Leia os outros capítulos aqui —–>>Asas de Anjo/

Demetrius levou Stella para o seu esconderijo no edifício abandonado. Ele a levou nos braços, desacordada. Não sabia exatamente que tinha acontecido. Sim, ele viu as sombras, os pequenos anjos demoníacos, mas ele não sabia que Stella pudesse ver também. Isso nunca antes havia acontecido. Será que eles a machucaram? Por que eles apareceram para ela?

Demetrius colocou Stella sobre a cama, como não havia luz, pegou uma vela pela metade que estava jogada por lá e a acendeu com a ponta dos dedos. Um de alguns dons que ele ainda possuía. Colocou a vela perto da cama para poder enxergar Stella. Estava totalmente inconsciente mas, ainda respirava. Talvez tenha sido só o susto. O que aconteceria quando ela acordasse? Quais perguntas ele teria que responder? Quais mentiras ele teria que inventar? Falaria que não tinha visto nada. Ela iria achar que estava louca, ele não podia fazer isso. Um milhão de coisas se passava na cabeça de Demetrius e ele sentiu medo. Medo de perdê-la, medo que alguém machucá-la,  medo de não conseguir defende-la dos demônios ou dos anjos que a queriam morta para obter o fim do Jardim. Medo de nunca mais poder vê-la.  Com a angustia se apossando do seu peito, Demetrius chorou. Ajoelhado ao lado da cama, de frente para Stella, chorou sem reservas, deixando suas asas encolhidas e tristes. Demetrius estava com a cabeça em cima do antebraço, apoiados na cama, mas percebeu que dentro do aposento se emergia uma luz. Levantou o rosto e olhou diretamente para Angels. Ela estava parada a alguns metros dele e a algum espaço do chão. A luz que se via vinha dela, de suas mãos e corpo. Usava uma túnica branca até os pés descalços e brilhantes. Seus cabelos castanhos claros lisos eram cumpridos e iam do bico de viúva até a cintura, traçando uma única reta. Seus traços eram delicados e bem delineados. Perfeitos combinando com seus olhos amarelos. Ela parecia uma boneca  de porcelana, e sua presença emanava uma sensação de se estar protegido, de se estar bem, e a angústia estava indo embora devagar.

Angels olhou para Demetrius com um pequeno sorriso no rosto, quase imperceptível.

– Boa noite Anjo do Jardim – ela disse

– Boa noite mestra. Desculpe, não sou mais um anjo do jar ….

– Não me contrarie! Sou sua mestra e estou farta disso! Onde está o respeito? – disse ela o interrompendo

Apesar do seu jeito autoritário, sua voz era como veludo, macia, suave e calma.

– Desculpe mestra. Eu não tive a intenção, mas a senhora sabe que …

– Eu sei de tudo! Tudo o que desrespeito ao meu Jardim, tudo o que desrespeito aos meus anjos – ela disse interrompendo novamente – Anjo Caído, te dei uma chance de salvar esta filha de um anjo com um humano, que ganhará asas daqui a algum tempo. No entanto, você coloca a vida dela em perigo a todo o momento. No entanto, você não cumpre sua parte. Quer mesmo voltar para o seu lugar no Jardim?

Demetrius pensou que talvez estivesse sendo um teste. O que diria?

– Mestra. Eu sinto muito. Eu realmente estou tentando, mas há tanto fatores ….

– Está tentando? Você acha que não sei seus sentimentos por ela? Você acha que não vejo que não agüenta ficar uma vez se quer sem pecar? Você acha que, quando ela ir para o Jardim, uma herdeira do trono, irá querer ficar com um simples mensageiro que perdeu sua oportunidade quando veio a Terra?

Caramba! Essa mulher de anjo não tinha nada! E nunca deixava que ele  terminasse suas frases.

– Mestra, eu entendo, prometo fazer o que for possível para guardá-la, não vou deixar que nada aconteça a ela até a hora certa. E nada direi. Juro que nada direi a ela. Posso não subir para o Jardim novamente, mas a minha parte para salva-la eu farei, pois o a amo verdadeiramente, mais que  a mim mesmo.

Demetrius falou sem paradas, para o caso se não ser interrompido novamente.  Sim, era verdade, ele iria fazer tudo o que estivesse ao seu alcance.

– Se é verdade meu anjo, então ouça o que vou lhe dizer – ela fez uma longa pausa – Existem muitos que a querem morta e muitas que morreriam e matariam por ter o privilégio que você recebeu e ser o guardião da herdeira do Jardim, portanto, não estrague tudo.

Demetrius ficou em silencio apenas absorvendo tudo o que acabara de ouvir. Sim, ele poderia fazer isso. E então, ela desceu alguns metros para ficar mais perto dele, pegou sua mão com a sua brilhante e depositou nela uma medalhinha que dizia “ Use suas Asas”., fechou a mão de Demetrius e disse:

– Se quer isso, então para de se envolver com ela. Não existirá mais noites de amor. Está infringindo as regras e não posso aceitar. Nem por amor. Para já com isso ou será afastado e nunca mais verá sua amada novamente. Espero ter sido clara.

Dizendo isso, Angles desdobrou suas asas enormes e brancas com as pontas cristalinas, alinhadas em um desenho perfeito, sem nenhuma pena fora do lugar. Só de olhar ele tinha vontade de tocar. Asas impressionantes! Lindas! Hipnotizantes!

Angels bateu suas asas e desapareceu em meio a penumbra do quarto, levando com ela a luz que iluminava.  A vela já estava quase terminando e Demetrius olhou para Stella ainda dormindo na casa. Parecia um anjo em sua meiguice e doçura. Ele a amava, e teria que deixá-la partir. Poderia fazê-lo? Poderia ele guardá-la só de longe? O que falaria para ela?

Demetrius pensou nas sombras, longe de Stella ele não sabia se elas voltariam para assustá-la ou fariam alguma coisa. Talvez devesse ter perguntado para Angels o porquê disso. E, porque a medalha? Ele não sabia o que significava, somente guardou-a no bolso traseiro do jeans. Depois pensaria com mais calma. Talvez fosse só um presente para ele sentir-se melhor.

Quando ele viu Angels no quarto, Demetrius achou que as coisas poderiam se ajeitar, mas estava errado. Ela só veio para manda afastar-se de Stella. Nada no mundo doeria mais no peito do que ficar longe dela, mesmo com todas as coisas que aconteciam.

Demetrius deitou-se ao lado de Stella. Não queria pensar no que faria ao amanhecer, só queria senti-la junto dele a todo tempo. Ele a abraçou de modo que seu peito encostasse em suas costas. Como se ele estivesse protegendo-a. Cheirou seus cabelos e sentiu o cheiro de limpo, de xampu. A puxou para mais perto e adormeceu do jeito que ele queria que fosse para sempre, ao seu lado.

Asas de Anjo 3

26 de março de 2011 § Deixe um comentário

Leia os primeiros capítulos de Asas de Anjo AQUI

Demetrius deixou a prostituta no beco e sumiu para longe. Foi encontrar Stella na porta da Universidade. Estava 20 minutos atrasado e esperava que ela ainda estivesse lá. Não pôde falar com ela, tinha quebrado o seu telefone. Se sentindo culpado e muito frustrado a procurou no meio da multidão que saía do prédio. De longe viu Stella encostada em um muro falando no telefone. Ela era tão linda. Seus cabelos cor de mogno com reflexos naturais mais claros estavam soltos, iam até o meio da cintura. Usava uma blusa de mangas cumpridas preta com um colete escuro por cima, jeans e um all star preto. Simples e linda. Seus olhos cor de mel estavam arregalados. Parecia preocupada ou assustada. Sem mais esperar, Demetrius foi até ela.

  • Esta falando com quem? – ele disse.

Estava atrás dela e quando Stella ouviu sua voz, fechou o parelho em suas mãos e virou-se para ficar de frente para ele.

NO minuto seguinte, a expressão de preocupação foi embora dando lugar a um sorriso luminoso cheio de afeição, do tipo que fazia Demetrius tremer o corpo todo. Stella o abraçou como se ela o estivesse vendo pela primeira vez em anos.

  • Onde você estava? Estava tentando te ligar…
  • Meu telefone quebrou- disse ele interrompendo-a

Não gostava de mentir, e se pensasse no motivo que o levava fazer isso, se lembrasse do que havia feito a minutos atrás, provavelmente não conseguiria olhar para os olhos sinceros de Stella

  • Quebrou? Como? – ela perguntou desconfiada
  • Longa história. Chega de falar de mim. Quase morri de tanta saudade da minha rosa – ele disse passando a mão em seu rosto com delicadeza
  • Qual é o problema? Você está bem?

Stella o conhecia bem. Não tinha como disfarçar perto dela.

  • Você confia em mim?

Perguntou ele sem saber ao certo como explicar toda a sitação

  • Sim, claro que sim. Mas o que esta havendo Demetrius?

Ele fez uma pausa que pareceu durar anos. Respirou fundo e então prosseguiu

  • Preciso que confie em mim. Eu amo você e quando estiver preparada, contarei tudo que deve saber.

Era a primeira vez que Demetrius dizia aquilo. Stella, com certeza, de nada desconfiava. Nunca saberia que era um anjo, filho de uma mestra e um humano. Nunca imaginaria o que a aguarda. E jamais pensaria que Demetrius fizesse tais coisas, como a que havia cabado de fazer. Mas ele não podia mais esperar. Tinha que ir preparando-a para a verdade. Ele queria poder contar tudo a ela agora mesmo, e pedir que o ajudasse no seu esforço em suprir as necessidades do seu pecado e tirasse essa angustia do seu peito. E quem sabe, os dois poderião voltar para o Jardim e ficarem juntos. Como deve ser. Mas contar-lhe tudo agora estragaria parte do plano. Se Angels soubesse por um dos mensageiros que ele jogou as cartas na mesa antes da hora, ele seria carta fora do baralho. E talvez jamais veria Stella novamente. Mas, guardar esse segredo dela o estava matando. Ter que mentir, esconder a verdade o machucava por dentro a cada palavra dita em falso.

  • Demetrius, eu confio em você, mas não estou entendendo onde quer chegar. Você tem outra pessoa, é isso?

Demetrius olhou para o rosto perfeito de Stella. Seus olhos cor de mel agora brilhavam, um brilho triste e ancioso. Com a pouca luz da rua, não dava para ver nitidamente as sardas lindas que Demetrius amava. Com as duas mãos, segurou o rosto de Stella e encostou sua testa na dela. Respirou fundo para tomar forças, e sentiu o perfume maravilhoso de rosas que vinha de sua pele. Um perfume que parecia ter sido feito para ele cheirar. Assim como Stella, para ele amar.

  • Nunca mais diga isso! Nunca cogite essa idéia! Você é tudo pra mim. Tudo o que eu tenho. Tudo o que eu preciso. É a única razão da minha vida. É a única rosa do meu jardim.

Dizendo isso, Demetrius a beijou. Um beijo que começou lento, devagar, suave, e logo depois intenso e apaixonado. Stella colocou suas mãos na nuca de Demetrius e ele a segurou pela cintura e a puxou para mais perto de seu corpo. Gostava dela assim, perto dele. Tão perto que pareciam um só. Começou a sentir suas asas em puro êxtase. Uma sensação maravilhosa que só acontecia quando estava com ela. Suas mãos a pertavam enquanto Stella passava a mão por sua cabeça e sua nuca com intensidade. O beijo continuava, com suas bocas unidas, explorando, encontrando, se encaixando perfeitamente. O mundo parou para eles. Não existia mais nada. Nem o que os impediam de ficarem juntos, nem o que ele era, nem o que ela estava prestes a se tornar. Nada, apenas aquele momento. A vida valeria a pena sim. Apenas por ter esses momentos com ela.

Stella amava Demetrius. O que ele disse a assustou um pouco mas, agora, sabia que não poderia ser nada demais. Ele a amava também. Não era preciso dizer. Apenas com seu beijo, com seu toque, ela sabia. Tudo era perfeito com ele. Ele era perfeito e Stella agradeceu em pensamento por te-lo. Sua vida agora era completa. O que ele iria lhe dizer?Não importava, aguentaria tudo por ele.

Stella amava se sentir protegida pela enorme corpo de Demetrius, e como agora, adorava se aninhar a ele. Ela se perdeu nas sensaçõas. Estava tudo perfeito, mas então, Stella, mesmo com os olhos fechados, sentiu que escurecia. Havia alguma coisa sobre eles. Que sobrevoava sobre eles. Um pássaro? Sem interromper o beijo, Stella abriu os olhos e, o que viu, a assustou. Sombras negras, muitas delas em cima da cabeça de Demtrius. Não tinham forma, era mais como manchas negras voadoras. Stella interrompeu o beijo, deu dois passos para trás e olhou para elas e no momento seguinte, começou a sentir uma sensação ruim. Dor, sentia dor no corpo todo, como se ele estivesse cansado. Seu peito doía como se tivessem arrancado lhe o coração, estava vazia, e sua visão pareceu turva. Iria desmaiar. As sombras vieram para cima dela, parecia que queriam toca-la, mas não o fizeram. Sentiu medo.

  • Stella! Stella! – Demetrius gritou desesperado. Pôde ouvir. Será que ele também estava vendo?

Se não fosse por Demetrius, Stella teria caido de costas no chão, mas ele foi mais rápido e a segurou. Ele parecia desesperado e Stella apesar de não enxergar nitidamente, ainda via as sombras em cima dele, e as pessoas em volta estavam perto com olhares curiosos. Fizeram uma rápida roda em volta deles. Ainda sentindo a dor, viu que Demetrius a segurou no colo e logo depois, Stella apagou nos braços de Demetrius.

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