Asas de Anjo 7

30 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Capítulo 7

 

Stella sentia-se estranha enquanto andava e chorava ao mesmo tempo. Sentia os olhares curiosos das poucas pessoas que passavam ao seu lado. Andava como se não conhecesse suas pernas e estivesse flutuando nas nuvens, desajeitada. No primeiro ‘pequeno’ bar que encontrou aberto, respirou fundo, limpou o rosto e entrou no estabelecimento. Era incrível como sua vida podia passar de feliz a infeliz em segundos, com apenas algumas palavras ditas. Estava sozinha. Chegando perto do balcão pediu um maço de Marlboro e um isqueiro para o homem velho com um aspecto asqueroso a sua frente. Pagou o homem e saiu em direção ao seu pequeno apartamento, que só então, percebeu que era apenas três quadras dali. Acendeu um cigarro. Não costumava fumar com freqüência, mas realmente estava precisando de um. Ao dar a primeira tragada, sentiu um gosto amargo que a deixou tonta e tomou conta de seu corpo. Olhou para a brasa acesa e pensou que sua vida poderia ser comparada a esse cigarro queimando. A nicotina queimava como se fosse sua vida, e o vento batia levemente levando todas as cinzas que se transformavam como as coisas boas de sua vida que viravam ruins e eram carregadas e esquecidas, indo embora com o vento. Não pode conter as lágrimas que voltaram a cair de seus olhos. Caminhou lentamente olhando para o chão sentindo-se um nada. Uma ‘Zé ninguem’ fora de contexto nenhum. Conforme andava e olhava a calçada por onde passava, Stella sobressaltou-se ao perceber uma sombra estranha refletida no chão. Seu coração logo começou a bater descompassado ao lembrar-se da ultima vez que viu algo parecido. Reparou que o reflexo, apesar de não ser nítido, era diferente das outras pois tinha uma forma mais regular. Asas? Parou de imediato e olhou para cima. Nada. Não havia nada, nem sombras, pássaros, nada. Assustou-se quando seu celular começou a tomar, e por uma fração de segundos, ficou esperançosa por achar ser Demetrius. Mas, ao pegar o aparelho nas mãos, o nome Andressa piscava rapidamente.

Andressa era uma colega da faculdade, na qual era a única pessoa que conversava e fazia os trabalhos juntas. Como Stella andava meia afastada e desinteressada, sabia que Andressa estava ligando para saber se estava tudo bem e a quantas andava o trabalho de línguas que Stella ficou de fazer a primeira parte.

-Oi….

– Stella! Oi querida, tudo bem com você? – respondeu feliz, diferentemente de Stella

– Oi Andressa, sim, esta….esta tudo bem sim.

– Não me parece nada bem. O que houve? Onde está? Vamos nos encontrar hoje para rever o trabalho?

Apesar de não serem grandes amigas, Stella gostava de Andressa, gostava da maneira que ela falava e de sua alegria contagiante. E nesse momento, Stella que nunca teve liberdade com muita gente, sentiu vontade de ter um ombro amigo como o de Andressa.

– Eu…realmente não me sinto muito bem, mas sim, podemos nos encontrar hoje.

Stella se deu conta de que, pela primeira vez, estava sendo honesta com alguém que não fosse Demetrius. Não queria afastar Andressa, pensou que ela tinha ligado em boa hora. Seria bom passar o dia ocupando-se de outra coisa a não ser pensar em Demétrius.

– Ótimo! Perfeito…passo pra te pegar as 11 horas. Vamos almoçar e discutir sobre o trabalho. Esteja pronta. Até logo.

Antes de Stella poder confirmar a resposta, ela já havia desligado o telefone. Certo, iria pra sua casa e se aprontaria. Era por volta das 10 horas quando colocou os pés em casa. Tomou uma ducha e lavou seus cabelos. Queria tirar todo o cheio da noite de amor que teve com Demétrius. Nenhuma lembrança.

Como o tempo estava frio, Stella optou por um jeans velho, seus preciosos all stars, e uma blusa de linho preta, um pouco folgada, deixando a mostra seu pescoço nu. Os brincos eram os mesmo de sempre, pequenos e delicados em forma de flor dourados. Nunca foi de se enfeitar toda, mas sempre sentia inveja das mulheres que se arrumavam. Como Andressa.

11 em ponto, Andressa estava com o carro buzinando no portão do prédio e Stella foi ao seu encontro. Andressa era loira, cabelos cumpridos e lisos até o meio das costas. Alta e bonita, com um ar de segurança de dar inveja. Sempre elegante e recebia muitos olhares por onde passava em seu carro importado. Tinhas seus 28 anos,  já era formada em língua estrangeira e agora queria ter seu diploma em Letras. Sua família possuía uma fortuna que era herança, eles eram donos de algumas empresas de publicidade, mas Andressa nunca quis fazer parte disso, tinha seus próprios objetivos.Stella entrou no carro.

– Olá? Que pontual.

Era difícil ver Stella fazendo uma brincadeirinha que fosse, mas do pequeno comentário e do sorriso sem graça dela, veio uma gargalhada alegre de Andressa, como se ela tivesse contado a maior piada do mundo.

– Depende da conveniência minha querida! Preciso do trabalho, e uma companhia para o almoço. – dizendo isso, deu uma piscadela e arrancou com o carro assim que colocou seus óculos escuros, que a deixava ainda mais elegante.

Seguiram em silencio, ate que Andressa falou

– Vocês está bem? Esta quieta. Bom, você sempre foi, mas hoje esta mais. Tá tudo bem?

Era tão notável assim? Andressa não sabia nada da vida de Stella, nem mesmo sobre o amor que vivia com Demetrius. Não daria para explicar os detalhes todos e todas as coisas estranhas que estavam acontecendo.

-Nada, é só que…eu briguei com meu namorado. – disse simplificando

– Puxa! Nem sabia que você tinha um! Mas enfim, homem é o que mais tem no mundo minha linda! Esquece e desapega disso! Logo você arruma outro. – fez uma pausa e como Stella nada disse, ela prosseguiu – Tem uma festa muito boa hoje. Vamos?

Stella levantou a cabeça e olhou direto para o rosto de Andressa iluminado por um sorriso que até parecia que estava esperançosa para que a resposta fosse sim. Stella não ia muito em festas, aliás, acreditava que sua única festa foi o dia em que se formou na escola. Não era como Andressa, não saberia o que vestir, nem como se comportar. Não conhecia ninguém.

– Eu não sei, não vou muito a festas. – respondeu

– Querida, você precisa viver mais! Você vai e sem discussão! Hoje mesmo é que você esquece desse seu ex picareta. Acredite em mim. Vamos nos divertir.

Stella nada disse, apenas deu um sorriso curto e pensou que deixaria as coisas acontecerem. Talvez não fosse tão ruim assim distrair um pouco.

A tarde passou rápida. As duas foram almoçar em um restaurante perto do centro, onde Andressa conhecia. Deram algumas risadas, comeram e discutiram sobre o trabalho. Stella, por muitas vezes, esqueceu-se de Demetrius e de tudo aquilo, estava realmente gostando de ter uma amiga por perto.

Depois de almoçarem, foram direto para a casa de Andressa. Ela disse que ajudaria Stella a se vestir e emprestaria algumas roupas mais festivas pra ela.

A casa de Andressa era grande. Possuia três andares e de acordo com o que viu, 5 quartos? Era muito para uma pessoa que morava só com a filha. Andressa era mãe solteira. Sua filha tinha 8 anos de idade. Era muito parecida com a mãe. Linda e meia, com cabelos castanhos claros cumpridos também. Assim que entramos na casa, Mari veio correndo abraçar a mãe.

– Mãe! Que bom que chegou! Vamos no cinema hoje? – ela perguntou

– Hoje a mamãe não pode amor, mas iremos amanhã. Vamos nos arrumar para uma festa, você quer nos ajudar?

Mari acenou com a cabeça que sim feliz da vida por ter sido incluída nos planos da mãe. Logo atrás, apareceu uma senhora de cabelos brancos enrolados em um pequeno coque no alto da cabeça. Usava um uniforme de empregada. Tinha um sorriso acalentador nos lábios e pequenos olhos azuis turquesa. Sua pele era tão branca que chegava a deixar suas maças do rosto rosadas. Era uma figura terna.

– Olá senhora. Como está? – ela disse a Andressa

– Bem Matilda, e você? Como se comportou nossa menina?

– Otimamente, ela é um doce. – Dizendo isso, Matilda piscou para Mari e voltou para dentro

-Vamos mãe…. – disse Mari puxando a mão da mãe

-Vamos meu bem – antes de caminhar ela disse – essa é minha amiga Stella, ela vai para a festa e também irá se arrumar com a gente hoje

Pareceu que só então Mari se deu conta de que a mãe estava com mais alguém. Ela soltou a mão da mãe e olhou fixamente para Stella. Seus traços infantis e delicados estavam indecifráveis. Seus olhos pousaram no rosto de Stella, tão intensos que a deixou desconcertada. Adorava crianças, apesar de não ter estado perto de muitas ao longo da sua vida.

– Você….você é um anjo? – a menina perguntou docemente

Foi um comentário ingênuo, coisa boba de criança, mas Stella sentiu um arrepio na espinha.

Esfregou a nuca e deu um pequeno sorriso a menina.

– Não Mari, apesar de ela ser muito bonita, ainda não vejo suas asas – respondeu Andressa antes de uma gargalhada – Vamos para cima!

Logo a menina voltou ao normal e as três subiram para o quarto de Andressa. Só seu closet era do tamanho do quarto de Stella, que ficou encantada.

– Vamos escolher uma roupa para a nossa anjinha Stella – disse Andressa

Stella como nada entendia de festas e roupas, deixou as duas escolherem o que vestir. O escolhido foi um vestido básico preto, com ombros caídos. Escolheram um cinto marrom com detalhes prata que coloram em cima e botas de cano baixo pretas, com saltos que pareciam ter sido feitos para mulheres que só ficam sentadas. Stella estava um pouco desconfortável, afinal, o vestido parecia ser a peça mais curta que já usou na vida.

– Esta perfeita, não esta Mari? – disse Andressa

– Tá linda! – disse a menina com alegria

Ok, agora enquanto você arruma seu lindo cabelo, eu e a Mari iremos achar uma roupa para a mamãe. Vamos.

Por volta das 20 horas, elas estavam prontas para sair. Stella deu uma ultima olhada no espelho para tomar coragem. O que Demetrius pensaria se a visse arrumada daquela maneira? Ah! Por Deus! Era provável que ele estivesse com outra a essa hora. Esquece…esquece…Mari apareceu na porta.

-Minha mãe ta chamando, você não vai a festa não é?

– Claro que sim linda. Já estou descendo

– Por que você não tem asas? – perguntou a menina inocente

Stella não entendia de onde Mari tinha tirado essa conversa.

-Bom, porque eu não sou um anjo – ela respondeu com a mesma delicadeza da menina

-Não é isso que eles disseram – ela disse e em seguida saiu deixando Stella só.

Sem dar muita importância para as fantasias de Mari, Stella olhou-se no espelho mais uma vez, respirou fundo, deu uma ultima arrumada no seus cabelo, uma cascata de magno que lhe caia sobre os ombros, e saiu dizendo a sai mesma que tudo iria ficar como deve ser. Bem.

 

 

 

 

 

 

 

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