Asas de Anjo 6

2 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Stella abriu os olhos e pensou que deveria ter adormecido mais um pouco depois de fazer amor com Demetrius. Percebeu que ele não estava na cama com ela. Levantou-se em um pulo, e sentou na beirada da cama, ajeitando o lençol embaixo dos braços. Ele estava sentado em uma cadeira virado para a janela. De costas para ela. Ele parecia distante e talvez não tivesse percebido que estava acordada, pois não se moveu nem um centímetro. Ele usava apenas suas calças jeans e estava com o corpo um pouco inclinado em direção as mãos no colo.  Stella levantou e deslizou até ele, ainda com o lençol enrolado no corpo. Atrás dele, ela percebeu que ele segurava um tipo de uma medalha nas mãos.  Stella reparou na sua grande tatuagem nas costas. O anjo tinha cabelos cumpridos até os ombros e estava de cabeça baixa, não conseguindo ver o seu rosto nitidamente. Suas asas eram grandes e volumosas, pomposas. Os traços do desenho eram feitos em preto e sombreava o corpo todo do anjo. Mas, nesse momento, mesmo que parecesse loucura, ele parecia estar brilhando e em alto relevo. Nossa, o desenhista devia ser muito bom. Stella pousou uma das mãos no ombro de Demetrius e ele deu um pulo de susto. Virou-se para encará-la.

– Desculpa, não queria assustá-lo – ela não sabia o que era mas, tinha algo errado acontecendo ali – Que lugar é este?

– Ah, desculpe. É…apenas um lugar que venho quando quero ficar só.

Sua voz era baixa, parecia triste e seus olhos, agora verdes escuros, estavam semicerrados. O que estava havendo?

– Ah… É ótimo ter, bom … um lugar pra se sentir bem. Você nunca havia me dito…não importa– ela deu uma pausa e continuou – Quero saber o que esta acontecendo Demetrius.

Apesar de sua voz firme, ela não foi rude. Afinal, estava um pouco assustada e parecia, realmente parecia, que as coisas não estavam boas. Ele parecia saber algo sobre as sombras. Como ele demorou para responder, ela disse

– Você as viu, não viu? As sombras? O que aconteceu comigo? Por que me trouxe aqui?

Demetrius levantou e pegou as mãos de Stella entre as suas. Por ser bem maior que ela, Stella teve que olhar para cima para poderem se olhar nos olhos.

– Eu … bom …eu as vi – ele fechou e apertou os olhos como se estivesse sofrendo, e depois os abriu novamente – você apenas desmaiou e não, eu não sei o que elas são.

– Ok…então…por que esta agindo dessa maneira?

Ela estava desconfiada. Claro, ver sombras negras e depois desmaiar não era uma coisa normal, mas estava mais preocupada com o modo como ele estava tenso.

– Precisamos conversar- ele disse

Stella sentiu seu estômago embrulhar. Pela feição dele, com certeza não era uma coisa boa. E o medo do que descobriria a invadiu. Sexto sentido.  Ele a levou para a cama e a colocou sentada, sentando-se ao seu lado. Aos pés da cama estavam suas roupas, ele as pegou e colocou no colo de Stella. 

– Olha para mim – ele disse quando ela baixou a cabeça para as roupas.

Ela fez o que ele pediu e nossa, agora parecia que seus olhos estavam negros. Impossível claro.

– Stella…eu … amo…Eu amo você mais do que qualquer coisa. Mais do que a mim mesmo e, por essa razão, preciso te pedir um favor e…bom…espero que entenda. 

Ela estava ansiosa pelo pedido, sem saber ao certo o que esperar.

– Pode falar

– Bom, eu…tenho que sair …não…quero dizer, tenho que me afastar de você por um tempo. É só por um tempo…preciso desse tempo, você também precisa …

-O quê? – ela o interrompeu – De que tipo de “tempo” você está falando que EU preciso? – estava furiosa

– Calma minha Ro…

– Calma? Você quer que eu tenha calma? – ela o interrompeu – você acabou de se deitar comigo e agora quer me deixar, e acha que devo ter calma?

– Não é o que está pensando. Entenda! Você tem que acreditar em mim…não posso te contar!

Stella reparou que seus olhos pareciam marejados. Será?

-Você é um canalha! Espera mesmo que eu acredite nessa baboseira?

Ele nada disse. Apenas abaixou a cabeça olhando fixamente para o chão.

-Não acredito que … eu… não acredito que acreditei em você.

Stella vestiu suas roupas. Esperou que ele dissesse alguma coisa, mas ele apenas ficou observando-a. Quando estava vestida, Stella pegou suas coisas e foi em direção a porta.

-Stella …

Ele chamou. Ela virou e o encarou com um aperto no peito tão grande. Mas não iria chorar na frente dele. Ele estava com um aspecto horrível. Tristes com os ombros retraídos.

-O que? – ela disse

– É… melhor assim ….

Sem deixar ele terminar, Stella abriu a porta e saiu rumo as escadas de incêndio. Desceu a pulos. Assim que chegou na porta, parou em frente ao prédio vazio, aquele lugar estranho. Pensou como tudo tinha ficado estranho em tão pouco tempo. Pensou em como a felicidade pode acabar em apenas alguns segundos e esses, destruir um coração. Não agüentando mais segurar, Stella chorou. Caminhando devagar sem rumo, chorou tanto. Sentia como se alguém tivesse pegado seu coração entre as mãos e o tivesse colocado embaixo da roda de um carro.

 

Assim que Stella se foi, Demetrius não agüentou a dor no peito. Alguém havia arrancado-lhe o coração. Poderia culpar ao Jardim, a mestra, as regras. Mas sabia que nada traia sua felicidade de volta, a não ser ter Stella novamente em sua vida. Demetrius foi até a janela e viu Stella indo embora. Chorando. Seu peito doeu. Sentiu vontade de abraçá-la e confortá-la. Dizer a verdade e que logo estariam juntos novamente. Não podia. Ele teria que seguir adiante com o ‘plano’. Abriu a janela e saiu, ficando em pé no parapeito. Queria gritar. Respirou fundo duas vezes e então abriu suas asas. Eram enormes. Estavam um pouco tensas e tremendo. Não pesavam nada, apesar de ser farta de penas cinza claras com as pontas mais escuras, quase pretas.

Demetrius se concentrou e então, levantou vôo, batendo suas asas devagar, porém a velocidade que se deslocava era três vezes maior. Foi atrás de Stella. Afinal, ele era seu anjo guardião.

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