Asas de Anjo 8

30 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Capítulo 8

Demetrius seguia Stella, curioso. Viu quando a colega de sala foi buscá-la, viu quando almoçaram juntas e depois foram pra casa da mulher. O que ele não entendia, é por que ela ainda estava lá dentro a essa hora da noite. Aguardou do lado de fora da casa, esperando que ela saísse. Demetrius nunca foi muito intuitivo, o que é mais uma característica feminina, na opinião dele, mas especialmente nessa noite, ele sentia que algo não ia bem. Sentia que Stella poderia correr perigo a qualquer momento que fosse. Por voltas das 8 e pouquinho da noite, a porta da frente se abriu e a mulher que estava com Stella saiu. Estava elegante e arrumada. Saltos muito altos e vestido colorido. Logo atrás dela, Stella saiu e o coração de Demetrius parou por alguns segundos. Quem era aquela? Stella estava linda em uma roupa que nunca a tinha visto usando, e que claro, não fazia o seu estilo, e por isso, Demetrius não gostou. Curto demais. Onde ela estaria indo? Com quem? Por quê?

Ela saiu rindo e Demetrius se sentiu a pior pessoa do mundo por pensar que, era simplesmente tão facilmente esquecível assim para ela já estar saindo para se divertir e rindo a toa, enquanto ele a seguia perdido. Maldição!

As duas entraram no carro e Stella foi no passageiro. Demetrius as seguiu, por mais que não quisesse e estivesse preocupado com o que pudesse ver mais adiante, ele tinha o dever de protegê-la. Não queria sua vida de volta? Porque, a julgar pelas coisas que via, agora esse era o seu principal objetivo. Talvez Stella não o amasse de verdade. Não como ele. Afinal, ela ainda era humana, e humanos são habitualmente falhos.

Elas andaram por uns 30 minutos e chegaram a uma casa em uma rua principal. Uma enorme casa com um som alto e tantas pessoas que não cabiam dentro dela e estavam espalhadas pelo jardim da frente. Pararam o carro a uns metros do portão, do outro lado da rua. Demetrius, que estava em cima de um arvore, observou as duas saírem do carro.

O sangue de Demetrius começou a ferver, e sua mente começou a produzir um “piii” que parecia que o deixaria surdo. Demônios. Sim, tinha certeza que havia algum por perto. E eles eram traiçoeiros. Trocavam de corpo como se troca de roupa. Podiam ser homens, mulheres, bonitos e feios, jovens ou velhos. Poderiam ser seu melhor presente para depois, se tornar seu pior pesadelo. Demetrius olhou atento ao redor, nunca deixando de perder Stella de vista. Quando as duas passaram pela porta principal e adentraram a casa, Stella em seguida da amiga, ele bateu o olho em um homem. Ele tinha boa aparência, estava encostado no batente da segunda porta que se via, seus olhos negros como jabuticabas estavam fixos em Stella, tão discretos que ela nem percebera. Usava uma roupa toda preta e tinha um porte físico e uma altura de dar inveja. Se não fosse um pouco gay, Demetrius diria que o cara era muito bonito. Demetrius teve certeza, esse era o seu inimigo. Seus olhos profundos mostravam todas as almas sofridas que ele carregava com orgulho dentro de si. Ódio, dor, era isso que aqueles olhos produziam, mas tudo isso estava camuflado em uma imagem ilusória.

Demetrius não pensou duas vezes. Guardou suas asas e voltou à forma humana. Teria que se infiltrar na festa e ser discreto, para que Stella não o visse. Esperando um grupo de pessoas que atravessavam a rua pra entrarem, ele os seguiu e entrou junto com os desconhecidos.

A casa era grande e ele já tinha perdido Stella e a amiga de vista. Mas não o demônio. Ele estava no mesmo lugar, sereno e quieto demais. Um sorriso convidativo e discreto pousava em seus lábios.  Demetrius estava tão distraído o observando quando foi esbarrado por alguém. Um homem, cujo os olhos vermelhos não lhe eram estranhos.

– Oh se não é o anjo caído! – o homem disse com um sorriso

-Por favor, fale mais baixo infeliz! – respondeu Demetrius

Era Adrian, um anjo caído com cabelos cor de fogo que amava sua vida desregrada, adorava a forma como vivia e não queria voltar para o jardim.

-Nunca pensei que fosse encontrá-lo em uma festinha Demtrius. Resolveu desistir de voltar? – Adrian disse

A sua soava mais como um desafio e seu sorriso sínico, fazia com que Demetrius sentisse vontade de esmurrá-lo

-Não seja ridículo Adrian. Está sozinho?

Não falava com Adrian fazia um tempo, um longo tempo. Não sabia se ele era só um bastardo retardado querendo curtir sua necessidade ou se ele, como outros, estava do lado dos demônios e queriam destruir o Jardim.

-Sim, estou só. Já viu quem esta aqui? – Adrian disse fazendo um toque com a cabeça em direção ao demônio – Esses bastardos quase me mataram um dia desses. Não respeitam nem mais o acordo de apaziguamento.

O acordo se resumia a eles não matarem os anjos caídos, independente de qual lado estavam. Mas, agora com Stella, não sabia como estavam as coisas entre os anjos caídos e os demônios.

Tomando ciência que Adrian não estava junto com o demônio, Demetrius deixou-o praticamente falando sozinho e foi atrás de Stella.

Demetrius viu que o demônio não estava mais onde estava antes e temeu por Stella. Nenhum dos dois a vista. Ele ouviu uma aglomeração nos fundos da casa. Pessoas gritando, rindo, cantando. Ele foi até lá para ver se os via.

Para a surpresa de Demetrius, Stella e sua amiga estavam em pé em uma mesa, assim como duas meninas em outra mesa próxima, dançando e bebendo. Quem era aquela pessoa? O que fizeram com a sua Stella? Então, Demetrius se deu conta que foi ele mesmo quem fez isso a ela. Ele mesmo que a deixou daquela maneira, depois de ter lhe prometido mundos e fundos.

Com os olhos tristes ele olhava para ela. Estava completamente fora de si, rindo, gritando. Enquanto rapazes ficavam ao redor das mesas contemplando-as.

Quando Demetrius reparou os olhares cobiçosos dos filhos da mãe, sentiu uma tremenda vontade de abrir suas asas e com toda força, arrastar todos esses bastardos até a China! Seus olhos queimavam de raiva. A ira o possuía e sem perceber, com passos vagarosos, foi chegando mais perto do local.  Até que seus olhos se encontraram com os de Stella.

 

Stella estava um pouco atordoada, conseguiu beber em menos de 15 minutos, tudo o que não bebeu na vida. Estava adorando a liberdade e estava adorando ser olhada com desejo por outros homens. Até que viu Demetrius. A expressão em seu rosto era de ódio, o que fez Stella ter a mesma recepção. O que ele estava fazendo lá? Estava a seguindo? Que direito ele tinha, depois de ter rompido com ela?

Stella ficou furiosa quando ele vinha em sua direção. Ele chegou perto da mesa olhando para cima, em seus olhos.

-Desce. Daí. Agora – ele disse

Stella riu desdenhada, que afronte!

– Não seja ridículo Demetrius!

Ele tentou segurar sua mão, mas ela desviou. Ouviu seu nome. Atrás dela, havia um homem. Um homem lindo que a estava chamando.

-Desce daí, eu ajudo você. – ele disse estendendo a mão

Andressa, que estava ao seu lado, não entendo nada, virou para Stella.

-Vai amiga! Aproveita ele é um gato!

Stella olhou para o rosto perfeito do homem e depois para o rosto zangado de Demetrius. Ele merecia isso, merecia que ela virasse as costas e fosse com aquele homem.

-Pelo amor de Deus, não vá com ele. Me escuta! –disse Demetrius com a voz um pouco desesperada

Ora essa, queria lhe dar ordens. A raiva cresceu em Stella, e sem pensar duas vezes, ela aceitou a mão do desconhecido. Ele a ajudou descer e sem olhar para trás, Stella correu enquanto ele a acompanhava.

-Me tira daqui, rápido! – ela disse ao lindo estranho

-Com toda certeza – ele respondeu com uma voz rouca que lhe deu arrepios.

Anúncios

Eclipse Lunar

18 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Não sei o quanto de vocês tiveram a oportunidade de presenciar esse momento. Eu, como estava fazendo minha caminhada noturna de todos os dias, pude comtemplar o Eclipse Lunar deste último dia 15.

Pra quem não sabe, o eclipse acontece quando a lua esta cheia, já que é nesse período que a Terra está posicionada entre o sol e a lua.

Em sua plena magnitude, a noite nos proporcionou um momento magnífico e impressionante vindo da natureza.

 

A Garota da Capa Vermelha

1 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Há algum tempo, antes de sair nos cinemas o filme “A garota da capa vermelha”, eu comentei que queria muito assisti-lo. Pois bem, demorou mas chegou a minha vez.

Como disse no último post, por algumas razões a minha vida, tanto diurna como noturna, está se resumindo a ver filmes. E ontem, eu finalmente consegui assisti em casa este filme!

Agora sim, posso falar alguma coisa e dar uma opinião sobre ele. 

Com direção de Catherine Hardwicke, a mesma diretora de ‘Crepúsculo’, há muitas semelhanças com ele. Primeiramente a forma como os personagens agem, como o casal principal. Segundo, os lugares, paisagens, tudo muito parecido, o modo como as cenas são como flashes, passando rápidas, só com lances. Mas, na minha opinião, é mais adulto.

Eu adorei de verdade! O romance, o que eles fizeram pra ser realmente a ‘Chapeuzinho Vermelho’, a capa, a vovózinha, a cesta,  como ele te prende até você ficar pensando que até o padre pode ser o lobisomem. Enfim, tem bastante aventura, romance, paixão e a maldição!

Em ‘A Garota da Capa Vermelha’, Amanda Seyfried é Valerie, uma bela garota ligada a dois homens. Está apaixonada pelo melancólico forasteiro Peter, porém seus pais a prometeram em casamento ao rico Henry. Inconformados com a situação, Valerie e Peter planejam fugir, até que tomam conhecimento de que a irmã mais velha de Valerie foi morta pelo lobisomem que vaga pela escura floresta que rodeia o vilarejo onde moram.

Ao longo de anos, as pessoas mantiveram uma difícil trégua com a fera, oferecendo-lhe mensalmente um animal em sacrifício. Mas sob uma lua cor de sangue, o lobisomem desrespeita o acordo, tirando uma vida humana. Sedenta de vingança, a população recorre a um famoso caçador de lobisomens, o padre Solomon, com a intenção de matar o monstro. Ocorre que a chegada de Solomon provoca conseqüências inesperadas, pois ele alerta que o lobisomem assume forma humana durante o dia, podendo ser qualquer um deles.

O número de mortes cresce a cada lua, e Valerie começa a desconfiar que o lobisomem pode ser alguém que ela ama. O pânico toma conta de todos e ela descobre que tem uma ligação singular com o monstro – que os une inexoravelmente, tornando-a ao mesmo tempo suspeita…e isca.

 

Asas de Anjo 7

30 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Capítulo 7

 

Stella sentia-se estranha enquanto andava e chorava ao mesmo tempo. Sentia os olhares curiosos das poucas pessoas que passavam ao seu lado. Andava como se não conhecesse suas pernas e estivesse flutuando nas nuvens, desajeitada. No primeiro ‘pequeno’ bar que encontrou aberto, respirou fundo, limpou o rosto e entrou no estabelecimento. Era incrível como sua vida podia passar de feliz a infeliz em segundos, com apenas algumas palavras ditas. Estava sozinha. Chegando perto do balcão pediu um maço de Marlboro e um isqueiro para o homem velho com um aspecto asqueroso a sua frente. Pagou o homem e saiu em direção ao seu pequeno apartamento, que só então, percebeu que era apenas três quadras dali. Acendeu um cigarro. Não costumava fumar com freqüência, mas realmente estava precisando de um. Ao dar a primeira tragada, sentiu um gosto amargo que a deixou tonta e tomou conta de seu corpo. Olhou para a brasa acesa e pensou que sua vida poderia ser comparada a esse cigarro queimando. A nicotina queimava como se fosse sua vida, e o vento batia levemente levando todas as cinzas que se transformavam como as coisas boas de sua vida que viravam ruins e eram carregadas e esquecidas, indo embora com o vento. Não pode conter as lágrimas que voltaram a cair de seus olhos. Caminhou lentamente olhando para o chão sentindo-se um nada. Uma ‘Zé ninguem’ fora de contexto nenhum. Conforme andava e olhava a calçada por onde passava, Stella sobressaltou-se ao perceber uma sombra estranha refletida no chão. Seu coração logo começou a bater descompassado ao lembrar-se da ultima vez que viu algo parecido. Reparou que o reflexo, apesar de não ser nítido, era diferente das outras pois tinha uma forma mais regular. Asas? Parou de imediato e olhou para cima. Nada. Não havia nada, nem sombras, pássaros, nada. Assustou-se quando seu celular começou a tomar, e por uma fração de segundos, ficou esperançosa por achar ser Demetrius. Mas, ao pegar o aparelho nas mãos, o nome Andressa piscava rapidamente.

Andressa era uma colega da faculdade, na qual era a única pessoa que conversava e fazia os trabalhos juntas. Como Stella andava meia afastada e desinteressada, sabia que Andressa estava ligando para saber se estava tudo bem e a quantas andava o trabalho de línguas que Stella ficou de fazer a primeira parte.

-Oi….

– Stella! Oi querida, tudo bem com você? – respondeu feliz, diferentemente de Stella

– Oi Andressa, sim, esta….esta tudo bem sim.

– Não me parece nada bem. O que houve? Onde está? Vamos nos encontrar hoje para rever o trabalho?

Apesar de não serem grandes amigas, Stella gostava de Andressa, gostava da maneira que ela falava e de sua alegria contagiante. E nesse momento, Stella que nunca teve liberdade com muita gente, sentiu vontade de ter um ombro amigo como o de Andressa.

– Eu…realmente não me sinto muito bem, mas sim, podemos nos encontrar hoje.

Stella se deu conta de que, pela primeira vez, estava sendo honesta com alguém que não fosse Demetrius. Não queria afastar Andressa, pensou que ela tinha ligado em boa hora. Seria bom passar o dia ocupando-se de outra coisa a não ser pensar em Demétrius.

– Ótimo! Perfeito…passo pra te pegar as 11 horas. Vamos almoçar e discutir sobre o trabalho. Esteja pronta. Até logo.

Antes de Stella poder confirmar a resposta, ela já havia desligado o telefone. Certo, iria pra sua casa e se aprontaria. Era por volta das 10 horas quando colocou os pés em casa. Tomou uma ducha e lavou seus cabelos. Queria tirar todo o cheio da noite de amor que teve com Demétrius. Nenhuma lembrança.

Como o tempo estava frio, Stella optou por um jeans velho, seus preciosos all stars, e uma blusa de linho preta, um pouco folgada, deixando a mostra seu pescoço nu. Os brincos eram os mesmo de sempre, pequenos e delicados em forma de flor dourados. Nunca foi de se enfeitar toda, mas sempre sentia inveja das mulheres que se arrumavam. Como Andressa.

11 em ponto, Andressa estava com o carro buzinando no portão do prédio e Stella foi ao seu encontro. Andressa era loira, cabelos cumpridos e lisos até o meio das costas. Alta e bonita, com um ar de segurança de dar inveja. Sempre elegante e recebia muitos olhares por onde passava em seu carro importado. Tinhas seus 28 anos,  já era formada em língua estrangeira e agora queria ter seu diploma em Letras. Sua família possuía uma fortuna que era herança, eles eram donos de algumas empresas de publicidade, mas Andressa nunca quis fazer parte disso, tinha seus próprios objetivos.Stella entrou no carro.

– Olá? Que pontual.

Era difícil ver Stella fazendo uma brincadeirinha que fosse, mas do pequeno comentário e do sorriso sem graça dela, veio uma gargalhada alegre de Andressa, como se ela tivesse contado a maior piada do mundo.

– Depende da conveniência minha querida! Preciso do trabalho, e uma companhia para o almoço. – dizendo isso, deu uma piscadela e arrancou com o carro assim que colocou seus óculos escuros, que a deixava ainda mais elegante.

Seguiram em silencio, ate que Andressa falou

– Vocês está bem? Esta quieta. Bom, você sempre foi, mas hoje esta mais. Tá tudo bem?

Era tão notável assim? Andressa não sabia nada da vida de Stella, nem mesmo sobre o amor que vivia com Demetrius. Não daria para explicar os detalhes todos e todas as coisas estranhas que estavam acontecendo.

-Nada, é só que…eu briguei com meu namorado. – disse simplificando

– Puxa! Nem sabia que você tinha um! Mas enfim, homem é o que mais tem no mundo minha linda! Esquece e desapega disso! Logo você arruma outro. – fez uma pausa e como Stella nada disse, ela prosseguiu – Tem uma festa muito boa hoje. Vamos?

Stella levantou a cabeça e olhou direto para o rosto de Andressa iluminado por um sorriso que até parecia que estava esperançosa para que a resposta fosse sim. Stella não ia muito em festas, aliás, acreditava que sua única festa foi o dia em que se formou na escola. Não era como Andressa, não saberia o que vestir, nem como se comportar. Não conhecia ninguém.

– Eu não sei, não vou muito a festas. – respondeu

– Querida, você precisa viver mais! Você vai e sem discussão! Hoje mesmo é que você esquece desse seu ex picareta. Acredite em mim. Vamos nos divertir.

Stella nada disse, apenas deu um sorriso curto e pensou que deixaria as coisas acontecerem. Talvez não fosse tão ruim assim distrair um pouco.

A tarde passou rápida. As duas foram almoçar em um restaurante perto do centro, onde Andressa conhecia. Deram algumas risadas, comeram e discutiram sobre o trabalho. Stella, por muitas vezes, esqueceu-se de Demetrius e de tudo aquilo, estava realmente gostando de ter uma amiga por perto.

Depois de almoçarem, foram direto para a casa de Andressa. Ela disse que ajudaria Stella a se vestir e emprestaria algumas roupas mais festivas pra ela.

A casa de Andressa era grande. Possuia três andares e de acordo com o que viu, 5 quartos? Era muito para uma pessoa que morava só com a filha. Andressa era mãe solteira. Sua filha tinha 8 anos de idade. Era muito parecida com a mãe. Linda e meia, com cabelos castanhos claros cumpridos também. Assim que entramos na casa, Mari veio correndo abraçar a mãe.

– Mãe! Que bom que chegou! Vamos no cinema hoje? – ela perguntou

– Hoje a mamãe não pode amor, mas iremos amanhã. Vamos nos arrumar para uma festa, você quer nos ajudar?

Mari acenou com a cabeça que sim feliz da vida por ter sido incluída nos planos da mãe. Logo atrás, apareceu uma senhora de cabelos brancos enrolados em um pequeno coque no alto da cabeça. Usava um uniforme de empregada. Tinha um sorriso acalentador nos lábios e pequenos olhos azuis turquesa. Sua pele era tão branca que chegava a deixar suas maças do rosto rosadas. Era uma figura terna.

– Olá senhora. Como está? – ela disse a Andressa

– Bem Matilda, e você? Como se comportou nossa menina?

– Otimamente, ela é um doce. – Dizendo isso, Matilda piscou para Mari e voltou para dentro

-Vamos mãe…. – disse Mari puxando a mão da mãe

-Vamos meu bem – antes de caminhar ela disse – essa é minha amiga Stella, ela vai para a festa e também irá se arrumar com a gente hoje

Pareceu que só então Mari se deu conta de que a mãe estava com mais alguém. Ela soltou a mão da mãe e olhou fixamente para Stella. Seus traços infantis e delicados estavam indecifráveis. Seus olhos pousaram no rosto de Stella, tão intensos que a deixou desconcertada. Adorava crianças, apesar de não ter estado perto de muitas ao longo da sua vida.

– Você….você é um anjo? – a menina perguntou docemente

Foi um comentário ingênuo, coisa boba de criança, mas Stella sentiu um arrepio na espinha.

Esfregou a nuca e deu um pequeno sorriso a menina.

– Não Mari, apesar de ela ser muito bonita, ainda não vejo suas asas – respondeu Andressa antes de uma gargalhada – Vamos para cima!

Logo a menina voltou ao normal e as três subiram para o quarto de Andressa. Só seu closet era do tamanho do quarto de Stella, que ficou encantada.

– Vamos escolher uma roupa para a nossa anjinha Stella – disse Andressa

Stella como nada entendia de festas e roupas, deixou as duas escolherem o que vestir. O escolhido foi um vestido básico preto, com ombros caídos. Escolheram um cinto marrom com detalhes prata que coloram em cima e botas de cano baixo pretas, com saltos que pareciam ter sido feitos para mulheres que só ficam sentadas. Stella estava um pouco desconfortável, afinal, o vestido parecia ser a peça mais curta que já usou na vida.

– Esta perfeita, não esta Mari? – disse Andressa

– Tá linda! – disse a menina com alegria

Ok, agora enquanto você arruma seu lindo cabelo, eu e a Mari iremos achar uma roupa para a mamãe. Vamos.

Por volta das 20 horas, elas estavam prontas para sair. Stella deu uma ultima olhada no espelho para tomar coragem. O que Demetrius pensaria se a visse arrumada daquela maneira? Ah! Por Deus! Era provável que ele estivesse com outra a essa hora. Esquece…esquece…Mari apareceu na porta.

-Minha mãe ta chamando, você não vai a festa não é?

– Claro que sim linda. Já estou descendo

– Por que você não tem asas? – perguntou a menina inocente

Stella não entendia de onde Mari tinha tirado essa conversa.

-Bom, porque eu não sou um anjo – ela respondeu com a mesma delicadeza da menina

-Não é isso que eles disseram – ela disse e em seguida saiu deixando Stella só.

Sem dar muita importância para as fantasias de Mari, Stella olhou-se no espelho mais uma vez, respirou fundo, deu uma ultima arrumada no seus cabelo, uma cascata de magno que lhe caia sobre os ombros, e saiu dizendo a sai mesma que tudo iria ficar como deve ser. Bem.

 

 

 

 

 

 

 

Filmes de Terror

23 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Oi amantes da noite!

Estou um pouco faltante com vocês. Deve mil desculpas, mas essa vida de quem estuda muito e trabalha o dia todo, não é nada fácil.

Como não tive tempo de bolar uma coisa bacana pra vocês, digna de seus olhos lerem (risos), vou falar sobre o que mais ando fazendo nos último finais de semana, assistindo filmes. Sim, porque, sair de casa nessas noites frias, só com um cobertor pra me esquentar!

Adoro ver filme a noite. Gênero: Terror e/ou suspense. Nada melhor pra sua madrugada ficar deliciosamente assustadora!

Pânico 4: Não é dos melhores filmes, com toda certeza, mas é um ótimo filme pra se ver a noite com alguém pra você agarrar quando uma facada for dada.

Halloween: O Início: Eu não me canso de ver esse filme, sempre a noite é claro. Gosto dele porque vai além do que sempre vimos. Loucos assassinos matando todo mundo. Não, esse é o melhor dos ‘Halloweens’, onde conta a verdadeira história do psicopata Mayke Mayers, que desde criança, já matava pessoas por instinto.

Arraste-me para o Inferno: Esse filme é ótimo para se ver a noite. Mas, não esteja sozinho! Porque depois a maldição e a maldita velha, vão ficar te perseguindo por toda a noite.

Hannibal: Eu adoro esse filme! Me dá calafrios, mas honestamente, assisti-lo a noite não me assusta. Primeiro que, normalmente, a noite é meu lar e segundo, sou fã de carteirinha de Hannibal.

Drácula: Meu preferido! Quando ele chega da Transilvânia espalhando terror, sinto-me dentro da tela.

O Massacre da Serra Elétrica: Você nunca mais vai conseguir ouvir o barulho de uma serra sem ficar no mínimo, agitado. Dei muitos pulos!

A Chave Mestra: Esse filme me dá medo. A noite, quando ouço aquele disco tocando, sinto calafrios! É um ótimo tema que chega a perturbar a gente.

POR FIM

Pânico na Floresta: O problema desse filme é que ele é meio ‘açougueiro’. Mas dá medo, ansiedade e nâuseas.

Enfim, foram esses de alguns filmes que assisti esses finais de semana que passei em casa.

A Noite é linda, mas dá medo por ser escura e ficamos inseguros pensando o que pode estar ali que não enxergamos! Ver filmes de terror a noite, só faz com que nossa imaginação veja coisas, que não estão, ou talvez estão, imersa a escuridão!

Asas de Anjo 6

2 de maio de 2011 § Deixe um comentário

Stella abriu os olhos e pensou que deveria ter adormecido mais um pouco depois de fazer amor com Demetrius. Percebeu que ele não estava na cama com ela. Levantou-se em um pulo, e sentou na beirada da cama, ajeitando o lençol embaixo dos braços. Ele estava sentado em uma cadeira virado para a janela. De costas para ela. Ele parecia distante e talvez não tivesse percebido que estava acordada, pois não se moveu nem um centímetro. Ele usava apenas suas calças jeans e estava com o corpo um pouco inclinado em direção as mãos no colo.  Stella levantou e deslizou até ele, ainda com o lençol enrolado no corpo. Atrás dele, ela percebeu que ele segurava um tipo de uma medalha nas mãos.  Stella reparou na sua grande tatuagem nas costas. O anjo tinha cabelos cumpridos até os ombros e estava de cabeça baixa, não conseguindo ver o seu rosto nitidamente. Suas asas eram grandes e volumosas, pomposas. Os traços do desenho eram feitos em preto e sombreava o corpo todo do anjo. Mas, nesse momento, mesmo que parecesse loucura, ele parecia estar brilhando e em alto relevo. Nossa, o desenhista devia ser muito bom. Stella pousou uma das mãos no ombro de Demetrius e ele deu um pulo de susto. Virou-se para encará-la.

– Desculpa, não queria assustá-lo – ela não sabia o que era mas, tinha algo errado acontecendo ali – Que lugar é este?

– Ah, desculpe. É…apenas um lugar que venho quando quero ficar só.

Sua voz era baixa, parecia triste e seus olhos, agora verdes escuros, estavam semicerrados. O que estava havendo?

– Ah… É ótimo ter, bom … um lugar pra se sentir bem. Você nunca havia me dito…não importa– ela deu uma pausa e continuou – Quero saber o que esta acontecendo Demetrius.

Apesar de sua voz firme, ela não foi rude. Afinal, estava um pouco assustada e parecia, realmente parecia, que as coisas não estavam boas. Ele parecia saber algo sobre as sombras. Como ele demorou para responder, ela disse

– Você as viu, não viu? As sombras? O que aconteceu comigo? Por que me trouxe aqui?

Demetrius levantou e pegou as mãos de Stella entre as suas. Por ser bem maior que ela, Stella teve que olhar para cima para poderem se olhar nos olhos.

– Eu … bom …eu as vi – ele fechou e apertou os olhos como se estivesse sofrendo, e depois os abriu novamente – você apenas desmaiou e não, eu não sei o que elas são.

– Ok…então…por que esta agindo dessa maneira?

Ela estava desconfiada. Claro, ver sombras negras e depois desmaiar não era uma coisa normal, mas estava mais preocupada com o modo como ele estava tenso.

– Precisamos conversar- ele disse

Stella sentiu seu estômago embrulhar. Pela feição dele, com certeza não era uma coisa boa. E o medo do que descobriria a invadiu. Sexto sentido.  Ele a levou para a cama e a colocou sentada, sentando-se ao seu lado. Aos pés da cama estavam suas roupas, ele as pegou e colocou no colo de Stella. 

– Olha para mim – ele disse quando ela baixou a cabeça para as roupas.

Ela fez o que ele pediu e nossa, agora parecia que seus olhos estavam negros. Impossível claro.

– Stella…eu … amo…Eu amo você mais do que qualquer coisa. Mais do que a mim mesmo e, por essa razão, preciso te pedir um favor e…bom…espero que entenda. 

Ela estava ansiosa pelo pedido, sem saber ao certo o que esperar.

– Pode falar

– Bom, eu…tenho que sair …não…quero dizer, tenho que me afastar de você por um tempo. É só por um tempo…preciso desse tempo, você também precisa …

-O quê? – ela o interrompeu – De que tipo de “tempo” você está falando que EU preciso? – estava furiosa

– Calma minha Ro…

– Calma? Você quer que eu tenha calma? – ela o interrompeu – você acabou de se deitar comigo e agora quer me deixar, e acha que devo ter calma?

– Não é o que está pensando. Entenda! Você tem que acreditar em mim…não posso te contar!

Stella reparou que seus olhos pareciam marejados. Será?

-Você é um canalha! Espera mesmo que eu acredite nessa baboseira?

Ele nada disse. Apenas abaixou a cabeça olhando fixamente para o chão.

-Não acredito que … eu… não acredito que acreditei em você.

Stella vestiu suas roupas. Esperou que ele dissesse alguma coisa, mas ele apenas ficou observando-a. Quando estava vestida, Stella pegou suas coisas e foi em direção a porta.

-Stella …

Ele chamou. Ela virou e o encarou com um aperto no peito tão grande. Mas não iria chorar na frente dele. Ele estava com um aspecto horrível. Tristes com os ombros retraídos.

-O que? – ela disse

– É… melhor assim ….

Sem deixar ele terminar, Stella abriu a porta e saiu rumo as escadas de incêndio. Desceu a pulos. Assim que chegou na porta, parou em frente ao prédio vazio, aquele lugar estranho. Pensou como tudo tinha ficado estranho em tão pouco tempo. Pensou em como a felicidade pode acabar em apenas alguns segundos e esses, destruir um coração. Não agüentando mais segurar, Stella chorou. Caminhando devagar sem rumo, chorou tanto. Sentia como se alguém tivesse pegado seu coração entre as mãos e o tivesse colocado embaixo da roda de um carro.

 

Assim que Stella se foi, Demetrius não agüentou a dor no peito. Alguém havia arrancado-lhe o coração. Poderia culpar ao Jardim, a mestra, as regras. Mas sabia que nada traia sua felicidade de volta, a não ser ter Stella novamente em sua vida. Demetrius foi até a janela e viu Stella indo embora. Chorando. Seu peito doeu. Sentiu vontade de abraçá-la e confortá-la. Dizer a verdade e que logo estariam juntos novamente. Não podia. Ele teria que seguir adiante com o ‘plano’. Abriu a janela e saiu, ficando em pé no parapeito. Queria gritar. Respirou fundo duas vezes e então abriu suas asas. Eram enormes. Estavam um pouco tensas e tremendo. Não pesavam nada, apesar de ser farta de penas cinza claras com as pontas mais escuras, quase pretas.

Demetrius se concentrou e então, levantou vôo, batendo suas asas devagar, porém a velocidade que se deslocava era três vezes maior. Foi atrás de Stella. Afinal, ele era seu anjo guardião.

A Noite

22 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Frio. O vento soprava congelante e batia em meu rosto, tocando minha pele fina, como uma navalha afiada. Já não se via mais o sol, apenas alguns reflexos distantes encobridos pelas nuvens carregadas que pareciam mais com sombras escuras acinzentadas, sem forma. Do alto eu pude ver o esplêndor do pôr do sol indo embora para dar espaço para a noite plena e a lua. Ah, a lua! Prateada e tão brilhante que iluminava quilômetros de ruas em completo breu, engolidas pela escuridão da noite. Eu estava ali, somente aguardando a chegada da lua prateada para poder sair pela noite. Assim que o sol se foi totalmente e o céu foi tomado pela cor negra, a lua prateada já estava lá. Com apenas um olhar, ela me consumiu por inteira, e pude ver o quanto de perfeito havia naquilo. Um ponto luminoso no meio a escuridão, mas esse ponto, é mais do que apenas uma luz, é o coração. Sem a lua não existira noite, assim como sem o coração, não existiria a vida.